Cada mês tem suas datas comemorativas e hoje, primeiro de setembro, temos o início da Semana da Pátria culminando com o Sete de Setembro, data significativa na História do Brasil. Dia da Independência, um fato histórico que marca o fim do domínio de Portugal e a conquista da autonomia política, mas que só aconteceu após várias tentativas em busca desse ideal causando mesmo, a morte de muitos militantes, entre elas a morte de Tiradentes, durante a Inconfidência Mineira.
Discorrer sobre o processo de libertação do Brasil, porém, não é o nosso propósito, mesmo porque no transcorrer do mês de setembro temos outras datas merecedoras de nossa lembrança. Uma dessas datas, possivelmente desconhecida de grande maioria, é a do dia dezessete, o Dia da Compreensão Mundial. Desconhecida, talvez, porque não oferecer apelos comerciais e é lastimável que dias de profundo significado como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e outros mais tenham se tornado, muito mais objeto de intenções de lucro do que propriamente com o intuito de prestar uma sincera e verdadeira homenagem.
Mas voltemos ao Dia da Compreensão Mundial. Vivemos num mundo de incompreensão e, acredito, todos compreendemos isso, mas é incompreensível que, apesar do avanço da civilização, a compreensão entre as pessoas, entre os povos e entre as nações, venha se tornando cada vez mais um produto em extinção. Todavia, se pensarmos bem, é possível sim, compreendermos essa triste realidade.
Para isso basta recorrermos à Palavra de Deus e atentarmos para as palavras de Jesus em Mateus 24:12. Disse o Mestre, referindo-se aos últimos tempos: “Por se multiplicar a iniqüidade, o amor de quase todos esfriará”.
Compreensão pressupõe o ato ou efeito de compreender e este, dentro do contexto das relações humanas impõe a capacidade de entender e aceitar o próximo como ele é, uma tarefa sem dúvida difícil, pois todos temos nossas diferenças e a aceitação significa acolhimento, receptividade e também a capacidade de concordarmos com as idéias e posicionamentos alheios. Se levarmos em conta que a aceitação também pressupõe aplauso, a tarefa se torna ainda mais difícil, pois quando envolve relacionamento entre pares e consortes é também um fato incontestável que vivemos numa época caracterizada pela competitividade, na qual é muito provável que o elogio ao sucesso do projeto alheio possa significar o fracasso dos próprios desígnios.
Claro que estamos nos referindo às pessoas que se encontram distantes do ideal cristão. Quando Jesus se referiu à multiplicação da iniqüidade estava fazendo uma afirmação a respeito da lastimável condição do ser humano, cuja natureza é tendenciosa ao pecado. Este, muito mais e pior que matar ou roubar, significa o afastamento de Deus. Quando uma pessoa se encontra distante de Deus, quando não se relaciona com Deus, seu relacionamento com o próximo, quem quer que seja tende a se caracterizar pelo egoísmo, pela busca de seus próprios interesses. Em tais circunstâncias é muito complicado compreender, respeitar e levar em consideração aquele com quem se mantenha algum tipo de relacionamento e, muitas vezes, a “aceitação” acontece mais por conveniência e algum interesse subliminar.
Embora acalentemos em nosso coração o desejo quanto a prática dos ideais cristãos, importa que não nos esqueçamos da incrível força de nossa natureza pecaminosa, cuja tendência é a de buscarmos nossos próprios interesses. Para tanto, nada melhor do que atentarmos para as palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 2: 1 a 5:
“Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”.
Um incrível e maravilhoso amor pela humanidade, tal a ponto de entregar Sua vida para nos abrir a porta da salvação.
Concluímos citando ainda as palavras de Cristo: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (João 8:32). Assim, pois, busquemos o conhecimento do poderoso amor divino, pois esse é o procedimento para impedir o domínio do egoísmo em nosso viver. Libertos desse mal, estaremos capacitados pela graça divina, a comemorarmos a bênção da mútua em nossa família, em nosso trabalho, em nossos relacionamentos, quaisquer que sejam.
Derly Gorski