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Resumo Histórico da Família
Gorski - Zimmermann
Em nome de meus irmãos, apresento nossas cordiais saudações a todos os presentes e particularmente àqueles que aqui chegaram como participantes do I Encontro da família Gorski-Zimmermann. Com nossas palavras de ¨Boas-Vindas estendemos a todos nossa profunda gratidão pelo comparecimento.
Quando planejamos esta reunião de família julgamos ser conveniente iniciá-la com um culto de Ação de Graças como evidência de nossa gratidão a Deus. Em primeiro lugar pelo exemplo e lições de vida deixados pelos nossos pais Guilherme e Cornélia Gorski.
Seu amor a Deus e à família se constitui um exemplo e inspiração àqueles que com eles tiveram o privilégio de conviver. Outra razão de nossa gratidão é a conservação de nossa grande família. Se todos estivessem vivos seriamos hoje 176 descendentes e agregados por casamento. Destes, l67 foram conservados com vida, dos quais cerca de 120 a 130 estão presentes para esta festa familiar. Louvado seja Deus por esta possibilidade.
A seguir apresentarei algumas considerações sobre nossas origens: Nossa origem étnica procede de três países Europeus – Polônia, Alemanha e Portugal. Nossos avôs paternos, João Cassemiro Gorski e Valeria Leocádia emigraram da Polônia. Sendo um verdadeiro amante de aventuras, no terceiro quarto de século XIX, viajou para os Estados Unidos tentando fugir do serviço militar em sua terra natal. Estando lá, ouviu que a América do Sul oferecia boas perspectivas para o futuro; fez as malas e viajou para Santiago do Chile. Mas também não ficou lá; cruzou logo os Andes chegando a Buenos Aires na Argentina. Chegando lá teve boas notícias a respeito do Brasil e, sem pensar duas vezes, tomou um barco com destino a Paranaguá. Dali viajou para Curitiba, a fim de juntar-se a uma Colônia Polonesa já estabelecida onde, conseguiu trabalho como marceneiro, pondo assim ponto final nas suas aventuras.
Mais ou menos pela mesma época, a família de Valéria desembarcava no Rio de Janeiro, fazendo parte de um grupo de imigrantes. Enquanto aguardavam indicação para onde deveriam seguir, ficaram hospedados num local providenciado pelas autoridades brasileiras.
Como nessa época os europeus eram muito bem-vindos como imigrantes, o próprio imperador costumava visitá-los na hospedaria. Numa dessas visitas, D.Pedro II agradou-se da jovem Valéria e ofereceu-lhe trabalho temporário como ama de alguma criança da família real.
Passando o tempo necessário para todos os trâmites burocráticos, o grupo de poloneses recebeu autorização para viajar até Curitiba, a fim de juntar-se à Colônia Polonesa ali instalada. Não demorou muito para que João e Valeria se encontrassem e, depois de um pequeno período de namoro, se casaram.
Em 23 de abril de 1891 nasceu-lhes o primeiro filho ao qual deram o nome de Guilherme Luiz, que viria a ser o nosso pai. Posteriormente a família foi acrescida com o nascimento dos irmãos Apolinário e Maximiliano Eduardo.
Nosso avô João procurando sempre oportunidades, mudou-se para a cidade de Castro onde nosso pai Guilherme pela primeira vez, aos 17 anos de idade, ouviu algo sobre o Evangelho ao assistir reuniões evangelísticas da Igreja Presbiteriana.
Quanto aos nossos avôs maternos, sabemos apenas que ele, Rodolpho Zimmermann era filho de alemães que haviam se estabelecido em Santa Catarina; e ela, Fortunata, era filha de portugueses estabelecidos em Porto Feliz, SP. Rodolpho e Fortunata se casaram e fixaram residência em Castro, Paraná, onde em 16 de setembro de 1895, nasceu aquela que seria nossa mãe – Cornélia Zimmermann. Os irmãos João Frederico, Eunice, Leônidas, Ida, Delfino, Rodolpho Jr., Natália. Em Castro meu avô Rodolpho estabeleceu-se, abrindo uma Padaria.
Por volta da virada do século, estas duas famílias, sem conhecimento uma da outra, mudaram-se para Itararé, no estado de São Paulo.
Nosso avô João Gorski, sendo católico, mantinha certa amizade com o líder católico de Castro, o qual por sua vez era amigo do Pároco da Igreja Matriz de Itararé, que se encontrava em construção. Sentindo a necessidade de um marceneiro hábil para construir o nicho para a imagem da Nossa Senhora da Conceição em sua igreja, não encontrando profissional capaz na própria cidade, recorreu ao seu amigo de Castro. Este não hesitou em indicar o nosso avô para a construção da referida obra de arte.
Depois de analisar a proposta recebida e considerando o fato de que se referia a uma cidade nova e em franco desenvolvimento, decidiu mudar-se para Itararé onde estabeleceu a sua oficina de marcenaria. Por outro lado, mais ou menos ao mesmo tempo, Rodolpho, vendo-se desprestigiado na cidade por haver-se associado a um movimento evangélico, ouvindo também boas noticias sobre Itararé, tomou também a decisão de mudar-se para lá, onde, como padeiro, estabeleceu a sua Padaria.
Trabalhando a serviço da marcenaria do seu pai, Guilherme com frequência passava pela padaria do Sr. Rodolpho, tornando-se um assíduo cliente.
Além dos pães, sentiu-se atraído pelos olhares simpáticos da filha do dono, uma linda mocinha de olhos azuis. Certa vez ao entrar na padaria, Guilherme observou na parede de madeira um pequeno orifício deixado por um nó de pinho, e nele um olho azul a observá-lo. A partir daí, as passagens pela padaria do Sr. Rodolpho foram-se tornando cada vez mais frequentes e mais demoradas.
Percebendo depois de algum tempo que o namoro dos dois jovens parecia seguro e que o moço, além de esbelto e simpático, era trabalhador, o Sr. Rodolpho, nosso avô materno resolveu ter uma conversa com ambos.
Os dois revelaram que as intenções eram sérias, porém Guilherme confessou que no momento, não estava preparado financeiramente para assumir o casamento. Como o avô da noiva estava se preparando para uma viagem prolongada, mencionou-lhes o desejo de que o casamento ocorresse antes da sua partida. Diante dessa insistência, o Sr. Rodolpho propôs ao futuro genro emprestar-lhe os meios necessários para a cerimônia.
Embora a proposta tenha sido feita no dia primeiro de abril, Guilherme acreditou e aceitou encantado. Foram então tomadas a providências legais, feitos os acertos entre as duas famílias, e Guilherme, tomando um terno emprestado para a cerimônia, casou-se com Cornélia, doze dias depois, isto é, em 12 de abril de 1916.
O relacionamento entre ambos foi grandemente facilitado pelas convicções religiosas que tinham, pois haviam aceitado a Cristo como Salvador e se tornado membros da Igreja Adventista do 7º. Dia, que estava florescendo na cidade. Nossa mãe Cornélia e possivelmente outros membros da família foi batizada em 1911, pelo pastor Jacob Kröcker e Guilherme pelo pastor John Lipke, que na época atuava como Presidente da Obra Adventista em São Paulo, pastor da igreja de Santo Amaro e Diretor do recém Seminário Adventista (hoje UNASP – SP).
Com sua conversão, nossos pais se constituíram em membros fundadores da Igreja Adventista de Itararé, um das primeiras igrejas do Estado de São Paulo. Durante os seus 75 anos de membro da igreja nosso pai não só desempenhou os cargos de Professor e Diretor da Escola Sabatina, Diácono e Ancião, mas foi também um firme defensor da Educação Cristã. Este fato levou a Associação Paulista a dar a esta Escola onde nos encontramos, na ocasião em que foi instalada o nome de Escola Adventista de 1º Grau “Guilherme Gorski”. Por muito tempo a Igreja Adventista era conhecida como a igreja do seu Willes, como ele era conhecido.
Quanto às suas atividades profissionais foi sempre reconhecido como honesto em seus negócios e prestador de bons serviços à comunidade. Em 1966 a Câmara Municipal de Itararé concedeu-lhe o titulo honorífico de Cidadão Itarareense em reconhecimento pelas suas contribuições no desenvolvimento da cidade.
Quanto à nossa mãe, suas atividades se restringiram às atividades domésticas e educação dos filhos. Como tais, reconhecemos e jamais nos esqueceremos de seus esforços e sacrifícios, quer na fabricação caseira de pés de moleque ou nas costuras e bordados. Esses esforços tinham uma finalidade: contribuir para que cada filho por sua vez tivesse oportunidade de estudar como aluno interno no Colégio Adventista, hoje UNASP – SP.
Finalizando com gratidão e reconhecimento, tenho o prazer de apresentar à Igreja uma boa parte dos seus descendentes hoje aqui presentes para esta solenidade.