Aleitamento materno e os dentes
Ana Valéria Braga Sottrati
* Cirurgiã-Dentista em Campinas - SP
O leite materno ou "ouro" líquido branco, enriquece o organismo de nossos filhos, por ser o alimento mais completo existente para eles, tendo também a ação imunizante (protegendo-os de doenças).
Para a mamãe que amamenta existe um elo de ligação, muito forte entre ela e o bebê, trazendo benefícios ao organismo e sendo muito gratificante. O bebê amamentado no peito tem equilíbrio mental e emocional, melhor do que os amamentados com mamadeiras ou chuquinhas.
Vale lembrar, que em tempo de crise financeira como a atual, ele é econômico e prático: - já está na temperatura ideal, não gera lixo como o leite artificial, onde temos que descartar suas embalagens e diminui as idas ao pediatra, pois sua imunidade é maior dificultando doenças.
Mas de tantos benefícios, estes são poucos, quando olhamos odontologicamente. É muito importante que a mãe saiba que para o leite ser sugado, o bebê estará fazendo esforço físico com a mandíbula (único osso móvel da cabeça ou "osso do queixo"), desenvolvendo a musculatura e ossos bucais. A mandíbula do recém-nascido, graças ao estímulo de "sugar o peito" irá se desenvolver até que tenha um equilíbrio de tamanho com relação à maxila. As mães podem observar que mamar no peito causa grande transpiração no bebê, sendo este ato o responsável pelo harmonioso crescimento da face e dos dentes.
Quando se usa a mamadeira, o bebê praticamente não se exercita, pois ganha o leite mais facilmente com o menor esforço. Portanto, quando a última opção for lançar mão de uma mamadeira, procure fazer orifícios pequeninos no bico, e não um único grande, assim aumentaremos o "exercícios do bebê" ao mamar.
Um bebê amamentado ao seio, terá um desenvolvimento ósseo muscular muito bom, tendo como conseqüência um melhor alinhamento da dentição e um tônus muscular (firmeza nos músculos), que o ajudarão na fala. Outro fator muito importante é a criança criar o hábito de respirar pelo nariz somente.
A mamadeira torna-se o alívio dos pais e o primeiro degrau de problemas vindouros para a criança, basta um resmungo maior e o bebê já recebe algo na sua boca, quase sempre adocicado, ajudando-o a calar-se.
Muito bem, a criança que foi amamentada, quando começar a ter seu complemento alimentar deverá recebê-lo em pequenas colheres ou copos cuja a borda não seja extremamente fina, e então estará sendo dado o primeiro passo para a mastigação. Bebês acostumados na mamadeira dão como conseqüência crianças preguiçosas para mastigarem, querendo uma alimentação mais líquida e pastosa, afinal, foram criadas na "lei do menor esforço para se alimentarem". Possuem uma mastigação quase sempre errada, desenvolvendo a musculatura de uma forma a desejar, e como conseqüência terão problemas de fala e deglutição.
Um outro problema causado pela amamentação artificial é chamada de "cárie de mamadeira". Normalmente a última mamada ocorre pouco antes do bebê deitar-se ou quando ele já está dormindo, ficando parado em sua boca, dentes e língua resíduos de leite, possivelmente com açúcar ou mel, que durante a noite fermentarão dando início ao processo da cárie.
Geralmente estas cáries, aparecem nos dentinhos bem juntas da gengiva. Este bebê terá suas idas ao dentista, na certeza de prevenção e motivação para se evitar a cárie e gradativamente ensinar-lhe o cuidado com seus dentes. Em verdade o bebê deveria ir ao dentista, ainda dentro da barriga da mamãe, afim de que esta aprendesse o que fazer para seus filhos serem crianças especiais, mesmo antes de nascerem.