Até que a morte os separe
Derly Gorski
* Pastor e Jornalista
“Até
que a morte os separe”. Aqueles que estão casados,
certamente já ouviram esta frase ou outra semelhante que, proferida
com solenidade, veio interligada à declaração de “marido e mulher”,
por ocasião dos sagrados momentos de seu enlace matrimonial.
Subentende-se que,
em tais circunstâncias, a sinceridade mútua pairava no
ambiente alegre da cerimônia nupcial, onde e quando os nubentes
se entreolhavam com a ternura e meiguice própria desse instante
de enlevo e amor. A expectativa de uma vida repleta de felicidade e
alegria explodia na face, em largos e descontraídos sorrisos
misturados com lágrimas de uma emoção indescritível.
E assim,
num cálido clima de carinho e afeição, duas vidas
se uniram para juntos, “numa só
carne”, prosseguirem sua viagem de amor.
Entretanto, com
o passar do tempo, os cônjuges descobrem surpresos que a estrada
da vida conjugal tem subidas e descidas, curvas perigosas, trechos derrapantes,
zonas de neblina, enfim, obstáculos os mais diversos que tornam
a viagem difícil e perigosa, a despeito das lindas paisagens
que realmente se descortinam aos olhos dos viajantes.
Lamentavelmente,
muitos chegam mesmo a desanimar. Não se lembram mais das mútuas
promessas de amor e fidelidade quaisquer que fossem as circunstâncias.
Frustrados, muitos decidem não mais continuar junto. Vivenciam
as cenas tristes de um amor despedaçado. Outros, embora não
cheguem a tal, vão seguindo sua viagem “aos
trancos e barrancos”, sofrendo sua vida conjugal.
Graças a
Deus, porém, que existem aqueles que desfrutam sua experiência
conjugal com gozo e alegria. Aqueles que, mesmo enfrentando problemas,
lutas e dificuldades, são fiéis ao compromisso assumido
no dia de seu casamento.
Adotaram
como filosofia de vida conjugal atitudes fundamentadas na compreensão,
tolerância, espírito de perdão e aceitação.
Tal filosofia de vida é o resultado de um constante relacionamento
com o Deus de amor e uma real dependência da graça salvadora
de Cristo Jesus. Uma vida conjugal assim vivida condiciona o casal à
prática do verdadeiro amor que, olhando para os defeitos um do
outro, encontra neles a inspiração e poder para uma completa
doação de si mesmo em atos de carinho e afeto que se “renovam
a cada manhã”. (Lam. 3:23).
Claro que
estamos falando do ideal e acreditamos que é importante que assim
seja, pois infeliz é aquele que diante dos obstáculos
vê neles motivo e razão para desistir de seus sonhos. Nesse
momento de minhas considerações faço uso das palavras
de Charles Chaplin: "O homem não
morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar". Em outras palavras, quando um homem e uma mulher prometem ser fiéis
até a morte, se pressupõe que assumiram esse compromisso
fundamentados no amor e para que ambos não venham a morrer, esse
amor que os uniu precisa ser cultivado a cada dia para que, a despeito
dos espinhos e ervas daninhas, possa florescer e dar frutos que lhes
proporcionem alegria duradoura “até
que a morte os separe”.