O plano de Deus para a família
Derly Gorski
* Pastor e Jornalista
Que é
uma família? Para quem crê na Palavra de Deus, o conceito
básico para “família” encontra-se no livro
de Gênesis. Não há novidade, não há
razão para tal pergunta. O relato bíblico afirma: “Criou
Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou;
homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede
fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”...
Gênesis 1:27 e 28. Assim, casamento e a família são
instituições divinas.
Para a
Sociologia, cujo foco se concentra nas relações existentes
entre os seres humanos, “família
é uma comunidade constituída por um homem e uma mulher,
unidos por laço matrimonial, e pelos filhos nascidos dessa união”.
Ambas,
Bíblia e Sociologia, respectivamente através de relato
da criação e definição do termo apresentam
aspectos dignos de reflexão. O aspecto relevante nos escritos
sagrados tem a ver com o fato do homem e a mulher haverem sido criados
à imagem de Deus. E como é Deus se a Bíblia afirma
que Ele “é espírito” (João 4:24) e ninguém jamais o viu? Embora
existam outras passagens que façam tal afirmação
cito 1 João 4:12 porque em si ela traz alguma luz para nossa
reflexão. Leia: “Ninguém
jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós,
e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado”.
O ponto alto dessa passagem se concentra na palavra “amor”.
Alguns versículos antes da passagem citada, João, de forma
clara e objetiva define Deus. Afirma o discípulo amado: “Aquele
que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. 1 João 4:8.
Basicamente,
imagem é a cópia de uma realidade, seja um objeto ou pessoa.
Mas o dicionário amplia mais o significado dessa palavra: Imagem
é a “manifestação
sensível do abstrato ou do invisível”.
Portanto, em minha concepção, ao criar o homem à
Sua imagem, sendo Ele um ser espiritual, porém amoroso, Deus
o dotou com a capacidade de amar e a relação entre o homem
e sua mulher dentro do casamento deve ser fundamentada no amor. Os filhos,
frutos dessa relação amorosa, devem ser criados num ambiente
de amor, como também a relação dos filhos para
com os pais deve ser da mesma forma e o mesmo entre irmãos. De
acordo com o plano de Deus, assim deveria ser a família, um grupo
de pessoas vivendo bem uns com os outros e todos com o Seu Criador.
É
aí que a definição da Sociologia entra em cena.
O destaque se encontra exatamente na palavra “comunidade”,
cujo significado se concentra na palavra “comunhão” e esta pressupõe um grupo de pessoas que se unem num mesmo propósito.
Em tal conjuntura,
é imprescindível a presença da solidariedade que
resulta na dependência recíproca. Por outro lado a disposição
de se alcançar os mesmos objetivos cria um forte vínculo
que se manifesta através da responsabilidade espontânea
de apoio e defesa, quaisquer que sejam as circunstâncias. Isso
é família na concepção de seu Criador.
Mas, as pessoas
não vivem mais no Paraíso Edênico. O pecado, cujo
significado teológico tem a ver com o fracasso do ser humano
ante os propósitos divinos, transtornou toda e qualquer expectativa
de um viver familiar saudável. Eis aí a razão da
desagregação da família, tão comum hoje
em dia.
Cito a seguir as
palavras do Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales, Arcebispo Emérito
da Arquidiocese do Rio de Janeiro, ao proferir mensagem sobre esse problema
que afeta famílias, não importando qual o seu credo religioso.
Suas palavras:
“Recordo-me
de que anos atrás, como parte de uma campanha contra os freqüentes
acidentes automobilísticos, estava nas ruas um imenso cartaz.
Mostrava uma criança de olhar triste indicando a causa de sua
orfandade e sofrimento: “Meu pai morreu na estrada”.
“Aquela
fisionomia, marcada pela angústia, poderia ser multiplicada aos
milhares também por outro motivo. São os filhos que sofreram
alterações no lar, pela separação dos pais.
A explicação não é a velocidade imprudente,
mas amiúde, é a busca egoísta de um bem-estar pessoal,
acarretando a quebra de compromisso solenemente assumido. A conseqüência
é a modificação na família e a amargura
de corações inocentes rasgados pelos genitores que tomam
direções opostas e substituem por outrem o cônjuge.
Receberam a vida e lhes era ministrada a formação. Da
mesma fonte é agora injetado um vírus que amarga a existência,
e por vezes, a deforma. A mão que devia amparar, fere. Procuram
para si uma felicidade fugidia, esmagando entes queridos como vimos
naqueles grandes impressos de propaganda atrás referidos.
“Como
há desastres inevitáveis nas estradas, existem também
casos dolorosos que arruínam ou impossibilitam a vida em comum”.
(Mensagem proferida aos 21/04/2006 – Fonte: www.arquidiocese.org.br)
Ao citar as palavras do Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales, nós
o fizemos apenas para reforçar o que todos, é possível,
sabemos de sobra. Muitos, por conhecer amigos e familiares que se encontram
nesse estado. Outros, quem sabe, por vivenciarem tal situação.
A realidade é dura e cruel e, mesmo que se busque uma explicação
para justificá-la, com certeza não se enquadra nos planos
de Deus para a família.
No entanto, se mencionamos
casos extremos envolvendo a desintegração, real e consumada,
que dizer das ocorrências comuns em muitas famílias que,
não chegando a vias de fato, vivem em desentendimentos constantes,
alterando da mesma forma o propósito divino para o viver familiar,
criando assim um clima carregado que contribui para o desgosto e amargura?
Se Deus ao instituir
o casamento e a família o fez com propósitos santos tendo
em vista um viver saudável e gratificante para seus membros;
se o pecado adulterou os planos divinos causando uma série de
males e aflições que se projetam na sociedade nas mais
diversas formas, subentende-se que o caminho de volta é uma exigência,
se realmente desejamos ver um quadro mais promissor tanto para a própria
família quanto para sociedade da qual todos fazemos parte.
Entendemos, porém,
e graças a Deus por isso, que nem todas as famílias se
encontram nesse estado de instabilidade e desintegração.
É claro que essas famílias não devem se jactar
ante as circunstâncias que amarguram a vida de outras tantas.
Cabe às famílias, nas quais o viver em comunidade é
real e gratificante, fazer de sua vida um ministério tendo em
vista a irradiação dos raios de luz que possam iluminar
o caminho de volta para as famílias que anseiam o viver em comunhão
e a paz resultante que dele advém.
Se o pecado,
que significa o afastamento de Deus e de Seus propósitos, tem
sido a causa de tanto sofrimento, importa salientar que, o aproximar-se
do Pai de amor oferece a solução real para todos e quaisquer
males que se possa imaginar. No Velho Testamento, no livro de Amós,
capítulo cinco, verso quatro, na Nova Tradução
na Linguagem de Hoje, encontramos um apelo dramático que Deus
faz ao povo de Israel: “O SENHOR diz
isto ao povo de Israel: —Voltem para mim a fim de que tenham vida”.
Por sua vez, Jesus Cristo foi claro e imperativo ao afirmar: “Buscai,
pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas
estas coisas vos serão acrescentadas” . Mateus
6:33.
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contribuição nesse sentido é o propósito
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os detalhes desse plano que visa o fortalecimento das relações
familiares. Que as bênçãos divinas recaiam em abundância
sobre sua família.